Dizem os mestres griôs do Delta que o vermelho dos guarás nasceu do encontro entre o sol do entardecer e as águas do Parnaíba. Por isso, quando centenas deles levantam voo e transformam o céu em uma grande chama vermelha, não é apenas uma revoada.
É um momento de passagem. Por alguns instantes, céu, água e terra parecem entrar em equilíbrio.
E os antigos acreditavam que, nessa hora, o Delta poderia escolher alguém para receber um sinal.

Pena de guarás encontrada no Delta do Parnaíba
A pena que encontra você
Dizem que, durante a revoada, uma pena pode se desprender, cair na água e seguir lentamente com a correnteza.
E existe uma antiga crença: Se uma pena de guará vier boiando na sua direção, não foi você quem encontrou a pena. Foi a pena que encontrou você.
É sinal de boa sorte, caminhos abertos e, principalmente, amor.

Papai do Céu brasileiro @papaidoceubrasileiro
Deixe a maré escolher
Mas os mestres griôs ensinam que existe uma condição: não corra atrás da pena. Deixe que a maré faça seu trabalho. Porque aquilo que realmente pertence ao seu caminho não precisa ser perseguido.

E, se a pena tocar seu barco, a tradição recomenda recebê-la com respeito e guardar aquele momento como lembrança.Talvez você não esteja levando apenas uma pena.Talvez esteja levando um pequeno pedaço da história do Delta.
O amor pode ter muitas formas
Os antigos também diziam que o amor representado pela pena não precisa significar apenas um novo romance. Pode ser alguém que chega. Alguém que retorna. Uma amizade que permanece. Ou simplesmente o amor pela vida, por aquele instante em que você olha para o céu e percebe que está exatamente onde deveria estar.

